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7up7down - mercados encerram 2009 com semana de instabilidade

Ibovespa avança 82,66% no ano, enquanto Nasdaq sobe 43,89%; dólar teve pior ano desde a criação do real

Julia Ramos M. Leite

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SÃO PAULO – A última semana do ano, mais curta, foi de instabilidade nos principais mercados globais, que oscilaram entre leves ganhos e perdas nas últimas sessões, afetados pelos baixos volumes e pelo movimento de realização de lucros. Os indicadores dos EUA atraíram atenções, assim como o cenário corporativo local.

No cenário, o Ibovespa encerrou a semana com ganhos de 1,48%, a 68.588 pontos. Com isso, a alta acumulada em 2009 foi de 82,66% – seu melhor ano desde 2003. Em dólares, o Ibovespa encerrou 2009 com uma valorização superior a 140%, a maior dentre as apresentadas entre os principais índices de ações no mundo. Ainda sobre a bolsa brasileira, a BM&F Bovespa divulgou esta semana a conclusão de acordo com a Nasdaq OMX, além da terceira prévia da carteira teórica do Ibovespa, que vigorará entre os dias 4 de janeiro e 30 de abril. Dentre as alterações, destaque para a entrada dos papéis de LLX Logística, OGX Petróleo, PDG Realty e MRV Engenharia.

A B2W se destacou entre as altas da semana, com valorização de 10,16%. Os papéis da varejista especializada em vendas via internet se beneficiaram com o noticiário das últimas três sessões: segundo pesquisa realizada pela consultoria e-bit, as vendas de bens de consumo pela internet aumentaram em 28% entre 15 de novembro e 24 de dezembro, movimentando R$ 1,6 bilhão. A pauta de indicadores da semana também trouxe um viés positivo para a companhia. A Nota de Política Monetária, por exemplo, mostrou que o crédito do consumidor cresceu 2% durante o mês de novembro, enquanto os níveis de inadimplência mantiveram-se praticamente inalterados.

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Por outro lado, os papéis da Celesc recuaram 5,65% na semana, ficando com o pior desempenho entre os ativos do Ibovespa no período. Em uma semana mais curta e com um volume de negócios relativamente menor, os ativos da geradora de energia de catarinense ganharam destaque após a BM&F Bovespa divulgar a carteira teórica do Ibovespa – que exclui os papéis da Celesc do principal índice da bolsa brasileira.

A semana trouxe resultados divergentes em relação às blue chips do índice. Os papéis ordinários Petrobras avançaram 1,22%, enquanto os ativos preferenciais da estatal recuaram 0,03%. Já as ações ordinárias da Vale mostraram queda de 0,42%, e os papéis preferenciais avançaram 0,09%.

Os índices norte-americanos também registraram ganhos no acumulado do ano. O destaque fica para o Nasdaq, que fecha 2009 com 2.269 pontos, nada menos do que 43,89% de valorização. Entretanto, na década, o Nasdaq recuou 44%, enquanto o Dow Jones caiu 9,3% – fazendo dos anos 2000 a segunda pior década de sua história.

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Os índices europeus também encerraram o ano com fortes valorizações.

Noticiário
Em uma semana esvaziada em Wall Street, os investidores ponderaram o bom desempenho das vendas do varejo no Natal, além da proposta do Federal Reserve para enxugar a liquidez em excesso dos mercados – que, segundo o banco central norte-americano, não deve ter efeitos na política monetária do país. A tentativa de atentado a um avião no último dia 25 e uma suspeita de bomba em Times Square que levou a evacuação do edifício da Nasdaq também movimentaram os mercados nos EUA.

Os investidores ficaram atentos a notícias vindas do continente asiático. Na China, o governo elevou sua estimativa para o PIB (Produto Interno Bruto) de 2009 de crescimento de 8% para 9,6%. Aliado a isso, o lucro das companhias do país cresceu 7,8% entre janeiro e novembro, somando US$ 379 bilhões – recorde histórico. Já o Japão mostrou que sua produção industrial registrou o maior crescimento em seis meses, avançando 2,6% em novembro, na comparação com outubro.

Agenda
Apesar do noticiário mais morno, a agenda de indicadores manteve os investidores ocupados. A confiança do consumidor norte-americano veio em linha com o esperado para dezembro, enquanto o preço dos imóveis mostrou queda maior que a projetada pelos analistas. Já o nível de atividade industrial na região de Chicago superou as estimativas. O Initial Claims, por sua vez, mostrou cifra muito menor do que a projetada pelos analistas.

Por aqui, a indústria também marca presença na agenda: o ICI (Índice de Confiança da Indústria) da Fundação Getulio Vargas atingiu em dezembro seu maior nível desde julho de 2008. Já a Nota de Política Fiscal revelou um superávit primário de R$ 12,711 bilhões do governo brasileiro em novembro deste ano.

O IGP-M (Índice Geral de Preços – Mercado), por sua vez, apontou deflação de 0,26% em dezembro, enquanto a Nota de Política Monetária revelou um crescimento de 1,5% no volume total de crédito do sistema financeiro nacional em novembro frente a outubro.

Cenário Corporativo
A General Motors comunicou que a sua unidade sueca Saab irá reiniciar a produção de algumas linhas de produção no próximo mês, descartando o dia 31 de dezembro como prazo final para recebimento de ofertas de compra. Além de notícias de fusões e aquisições, a GMAC voltou a ser o centro das atenções. Após a injeção de US$ 3,8 bilhões por parte do Tesouro dos Estados Unidos, a empresa pode ter seu rating elevado em diversos graus pela agência de classificação de risco Moody’s. Apesar da boa notícia, a instituição alerta que o aumento não será suficiente para a conquista do grau de investimento.

Os demais destaques corporativos da semana estão ligados ao mercado doméstico. A Petrobras, por exemplo, atraiu atenções depois que o presidente do Conselho Administrativo da Petrobras Biocombustível, Guilherme Cassel, afirmou que a estatal possui planos de expansão nos segmentos de etanol e biodiesel nacional, mercados nos quais pretende exercer um controle de até 20% e 25%, respectivamente.

As empresas de Eike Batista também atraíram atenções. A OGX identificou hidrocarbonetos na Bacia de Campos, enquanto a LLX comunicou a obtenção de empréstimo de até R$ 407,7 milhões junto ao BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social).

O Natal trouxe foco às varejistas, que se beneficiaram do crescimento de 4,1% nas vendas de Natal deste ano. Outra repercussão ocorreu nas empresas de cartão de crédito: enquanto a Cielo, ex-VisaNet, afirma ter capturado e processado o maior número de transações em sua rede no último dia 23, a rede de operações da Redecard apresentou problemas na véspera de Natal.

Entre as parcerias, a Net anunciou um acordo com a Embratel que consiste na aquisição da capacidade de transmissão gerada pela infraestrutura de backbone (esquema de ligações centrais de um sistema mais amplo) IP de alta capacidade da Embratel. Já a Rumo, controlada indireta da Cosan, anunciou planos de investimentos de aproximadamente R$ 1,2 bilhão para transporte de açúcar a granel e outros produtos através da malha ferroviária da ALL.

Câmbio e Renda Fixa
A moeda norte-americana fechou cotada na venda a R$ 1,743, o que representa uma desvalorização de 0,55% frente ao fechamento da semana passada. Dessa forma, a divisa norte-americana fechou o ano de 2009 com desvalorização de 25,42%, registrando o maior recuo anual desde que o real foi implantado como moeda oficial do Brasil, em 1994. A variação negativa de 18,23% vista em 2003 era a mais expressiva até então.

O Banco Central divulgou que o fluxo cambial acumulado nos 18 primeiros dias úteis de dezembro ficou positivo em US$ 2,152 bilhões. O saldo do fluxo financeiro reverteu a performance negativa no mês, contabilizando superávit de US$ 3,362 bilhões. Na contrapartida, o saldo comercial registrava déficit de US$ 1,211 bilhão até o dia 24.

No mercado de renda fixa, os juros futuros encerraram em alta na BM&F Bovespa. O contrato com vencimento em janeiro de 2011, que apresenta maior liquidez, encerrou apontando taxa de 10,50%, alta de 0,14 pontos percentuais em relação à semana anterior.

No mercado de títulos da dívida externa brasileira, o Global 40, bônus mais líquido, encerrou cotado a 135,30% de seu valor de face, alta de 0,74% na semana.

O risco-país, calculado pelo conglomerado norte-americano JP Morgan, fechou cotado a 196 pontos-base, queda de 15 pontos na variação semanal.

Confira a agenda do investidor para a primeira semana de 2010
Dentro da agenda da primeira semana de 2010, as atenções se voltam para a divulgação do Relatório de Emprego norte-americano referente ao mês de dezembro e à minuta da última reunião do Federal Reserve.

No front doméstico, os investidores estarão atentos a indicadores de inflação, além de dados relativos ao setor industrial.

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