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7up7down - Batalha da inflação não está ganha e juros ainda precisam ser restritivos, diz Campos Neto

Presidente do BC diz em conferência do Santander Brasil que inflação de serviços está longe do ideal, embora tenha começado a cair

Roberto de Lira

O presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto (Pedro França/Agência Senado)

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A inflação no Brasil tende a subir por efeito estatístico até o final ano e, embora a parte de serviços tenha começado a cair, agora também nos preços subjacentes, o patamar ainda está longe do ideal buscado pelo Banco Central. Assim, a batalha da inflação não está ganha e os juros ainda precisam ficar no campo restritivo. A mensagem foi passado pelo presidente do BC, Roberto Campos Neto, em palestra na 24 a conferência anual do Santander Brasil, que etsá acontecendo em São Paulo.

Campos Neto lembrou as origens do atual processo inflacionário global, destacando que, por conta da pandemia, foram injetados na economia US$ 9 trilhões em incentivos fiscais e monetário, para uma economia global de US$ 80 trilhões. “A gente entendia que ia ver uma inflação um pouco mais persistente”, afirmou, ponderando que existia uma tese de isso não iria ocorrer porque só aconteceria um reequilíbrio entre as variações de preços de serviços e bens.

O que ocorreu foi que as pessoas estavam em casa, sem mobilidade, e recebiam transferências dos governos, consumindo bens e não serviços. Assim a inflação de serviços caiu e a demanda de bens subiu. “Na verdade, o dinheiro colocado em circulação e o estímulo foi tão grande que fez se criasse um excesso de poupança por um prazo longo. E quando estimulou a demanda de bens, estimulou também a demanda de energia. Então, teve uma inflação de bens junto com a inflação de energia, que depois se agravou com a guerra (na Ucrânia)”, explicou.

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No pós-pandemia, todos os Bancos Centrais subiram os juros, alguns com característica inflacionárias diferentes de outros. Agora, continuou Campos Neto, a inflação global começa a cair, com a parte de energia voltando bastante, principalmente na Europa. “Mas quando a gente olha os núcleos de inflação, eles estão bastante persistentes”, disse, destacando que, em alguns países, esses núcleos ainda estão subindo na margem.

O cenário para os países avançados, segundo o presidente do BC, é de núcleos de inflação não estão caindo tanto, mas no mundo emergente os núcleos começaram a cair, numa velocidade lenta. “Alguns países no mundo emergente fizeram um programa grande de subsídios de alimentos”, afirmou.

Sobre meta de inflação, Roberto Campos Neto lembrou que houve um debate no início do ano que gerou muito ruído sobre qual seria a meta ideal para o Brasil. “A gente sempre advogou que aumentar a meta não dava grau de liberdade, ao contrário, nos retirava. Em vários países, as metas de inflação estão entre 2% e 3%”, comparou.

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Entre as economias mais relevantes, ele lembrou que a Índia é um caso à parte, com uma meta um pouco mais alta porque a inflação local é muito baseada em alimentos, que é bastante volátil. “Inclusive teve um número de inflação recente na Índia bastante alto por causa dos alimentos.”

Sobre o reajuste recente de combustíveis praticado pela Petrobras, Campos Neto disse que foi uma medida correta, no sentido de não deixar uma defasagem muito grande em relação aos preços internacionais.

Mas ele destacou que o Brasil é um dos poucos países que está com as expectativas de inflação, tanto em 2023, quanto em 2024 e 2025 dentro do intervalo da meta.

O presidente do BC disse que o Brasil conseguiu trazer a inflação para baixo com um freio de crédito bem menor do que o dos outros países, destacando que a Febraban reestimou recentemente para 8% sua projeção de crescimento do crédito doméstico. “A gente tem vizinhos nossos com crescimento de crédito zero oi perto de zero. E no mundo desenvolvido tem vários países com crescimento de crédito negativo”, comparou.

Sobre o fato de a inflação atual no Brasil ter cedido bastante e o debate de que o BC estaria atrás da curva nesse momento, Campos Neto comentou que aconteceu um efeito estatístico do segundo semestre do ano passado, com alguns meses em deflação. Por conta disso, até recentemente a inflação de 2023 e a acumulada estavam quase iguais. Mas ele alertou que a inflação tende a subir por esse efeito estatístico até o final do ano.

Na leitura atual, ele afirmou que a média dos núcleos vem caindo, numa velocidade menor, e que os últimos dois números começaram a mostrar, ainda de maneira muito incipiente, uma qualidade nessa melhora.

“A parte de serviços está começando a cair, os subjacentes também estão caindo um pouquinho na ponta, mas ainda longe do que é o ideal. Por isso, a gente tem dito que a batalha contra a inflação não está ganha e a que precisa persistir. Por isso adotamos uma linguagem na comunicação de que o juro ainda precisa ser restritivo.”

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