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Real Digital: necessário ou inevitável?

Qual o grande motivador de se construir uma nova arquitetura de mercado financeiro?
Por  Gustavo Cunha -
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Importante: os comentários e opiniões contidos neste texto são responsabilidade do autor e não necessariamente refletem a opinião do 7up7down ou de seus controladores

Muito tenho discutido sobre as vantagens, casos de uso, necessidade de privacidade e como manter isso com a componibilidade necessária no Real Digital e acabo indo muito fundo nessas discussões e de tempos em tempos se faz necessário sair de olhar as árvores e voltar a ver a floresta e é isso que pretendo fazer aqui.

A digitalização da moeda é um fenômeno inevitável. Nós utilizamos carteiras digitais para pagamentos há muito tempo. Dinheiro físico cada vez mais fica restrito a pequenos comércios que ainda não se digitalizaram, tais como alguns cafés e coisas de valor pequeno, e olha que até aí o PIX tem entrado com força e em muitos casos já há formas de pagar caso você não tenha dinheiro físico.

Essa digitalização pode ser feita nas arquiteturas atuais, tendo por base os cartões de crédito e débito, como é muito comum no ocidente ou via plataformas como WeChat e alipay no caso da China por exemplo. Mas também pode ser feita via uma nova arquitetura/plataforma de sistema financeiro que utilize de alguma forma Blockchain ou DLT. No caso dessa segunda temos algumas vantagens como o sistema de envio de mensagens e dinheiro (tokens no caso) sendo o mesmo, maior auditoria das transações, possibilidade de operações entre pessoas direto (peer to peer) de maneira mais fácil, programabilidade e composição com vários casos de uso que envolvam pagamentos, serviços e custódia, entre outros.

O surgimento dessa nova infraestrutura de sistema financeiro, que tem seus primórdios nas plataformas de cripto intituladas de DEFI (decentralized finance) tem um potencial enorme de deixar os sistemas financeiros nacionais e mundial muito mais eficientes e integrados. Hoje, por mais que tenhamos uma certa conexão entre os sistemas financeiros nacionais com outros países, essa conexão está longe de ser otimizada. Mesmo na zona do Euro, onde todos os países têm a mesma moeda, cada um tem o seu sistema de pagamentos instantâneo e eles não se conectam. Um DLT mundial pode vir a forçar esse padrão, à medida que todos começem a usar o grande padrão que cripto criou que é conhecido como EVM (ethereum Virtual Machine).

E é aqui que entra o Real Digital. Sendo a digitalização da moeda uma coisa inevitável, é na programabilidade e nessa nova infraestrutura que o Real Digital se baseia para ir além. Inúmeros casos de uso podem surgir com potencial enorme. Durante esse episódio do Tokenfi, o João Pirola, da AmFi, trouxe alguns bem interessantes para quem quiser entender melhor esses casos.

Hoje é consenso colocar no lançamento da Libra pelo Facebook em 2018, a pedra fundamental para abrir os olhos dos Banco Centrais em direção a essa nova arquitetura de sistema financeiro. Independentemente da Libra não ter conseguido sair do papel, o bem que ela fez para o mundo foi imenso. Tudo isso que estamos vendo hoje teria acontecido sem ela? Muito provavelmente sim, mas ela acelerou muito o processo dos Bancos Centrais.

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Uma discussão curiosa é a sobre o papel dos Bancos Centrais nas economias atuais. Se pegarmos nos livros que elencam as funções de um Banco Central (BC), prover sistemas ou infraestrutura de mercado não aparecem, mas, à medida que temos a moeda digitalizada, o controle sobre isso vira um dos pontos chave da atuação dos BCs. Os casos da Suécia e da China e o movimentos dos seus BCs em busca de um sistema onde consigam ter o controle e visualizar as transações exemplificam isso.

Voltando à questão que me propus responder, para mim a digitalização da moeda é um caminho sem volta, inevitável, e isso leva à segunda parte da pergunta. Qual o melhor sistema para se fazer isso?

Aqui minha opinião é de que não há arquitetura melhor no mundo para isso do que a arquitetura criada por cripto. Redes de blockchain são infinitamente mais eficientes do ponto de vista de auditoria, transações peer to peer, possibilidade de se realizar trocas atômicas (dvp) entre outras coisas. Mas nem tudo é perfeito. Elas ainda pecam, ou tem escolhas a serem feitas, quando os pontos são privacidade e escalabilidade. Vejo esses dois últimos pontos como escolhas e não impossibilidades.

Quem já opera em cripto há muitos anos consegue ver isso com clareza. Apesar de temos um UX em cripto ainda ruim, a eficiência com que se consegue transferir valores, custodiá-los e controlá-los é muito maior do que os sistemas do mercado financeiro tradicional. Para ser justo, PIX chega bem perto e tem uma UX muito melhor, mas serve somente para transferências de valores em Reais e no Brasil, não englobando compra de ativos, investimentos, empréstimos etc.

Então, quando me deparo com a pergunta: O Real Digital é necessário ou inevitável, minha resposta não poderia ser outra: os dois. Uma nova infraestrutura do mercado financeiro brasileiro é inevitável e o que traz a necessidade de que seja feita o quanto antes para que o Brasil continue na vanguarda do desenvolvimento do mercado financeiro mundial.

Uma das frases que mais gosto de dizer é a que hoje, via tecnologia, conseguimos fazer tudo o que já fazemos de um modo mais eficiente e no caso de um sistema financeiro isso não é diferente. Que venha o inevitável e necessário Real Digital o quanto antes!

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Gustavo Cunha Autor do livro A tokenização do Dinheiro, fundador da Fintrender.com, profissional com mais de 20 anos de atuação no mercado financeiro tradicional, tendo sido diretor do Rabobank no Brasil e mais de oito anos de atuação em inovação (majoritariamente cripto e blockchain)

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