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É possível fazer seguro em criptoativos?

Com a maturidade do mercado cripto, seguros de protocolo já começam a existir
Por  Gustavo Cunha -
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Importante: os comentários e opiniões contidos neste texto são responsabilidade do autor e não necessariamente refletem a opinião do 7up7down ou de seus controladores

Seguindo meu artigo sobre o mercado de derivativos em cripto, esse vem para analisar o estado do mercado de seguros em cripto.

O crescimento de outros instrumentos do mercado financeiro tradicional em cripto, inequivocamente, mostra que o mercado está ganhando maturidade a uma velocidade incrível.

Derivativos já são uma realidade e, como veremos a seguir, o mercado de seguros também já está representado em cripto, possibilitando que estratégias, que antes eram possíveis somente no mercado financeiro tradicional, sejam também feitas no mercado cripto. E mais, algumas que só fazem sentido, ou só são possíveis nesse mercado devido a sua estrutura, velocidade, linearidade e livre acesso. Mas vamos ao seguro.

Um dos grandes riscos que temos em cripto é o risco de o código de uma determinada iniciativa conter algum bug que possa ser explorado. Isso é importantíssimo em qualquer protocolo e mais ainda nos que oferecem soluções em finanças descentralizadas (DeFi), onde você pode colocar seus tokens para render juros, pegar empréstimos, etc.

Uma falha nesse código pode fazer com que todo o dinheiro que está depositado nessas plataformas seja drenado em questão de segundos. E não é pouco dinheiro. O total depositado nessas plataformas hoje é superior a US$ 50 bilhões.

Fazer um seguro contra essa falha é uma coisa que qualquer investidor desse setor, ao menos uma vez já pensou em fazer, mas ou ele não estava disponível, ou era disponibilizado por estruturas que na essência poderiam, e muitas vezes podem, correr o mesmo tipo de risco. De que adianta um seguro se na hora que você mais precisar a empresa da qual você comprou não estiver lá para ajudá-lo?

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Duas são as principais iniciativas que oferecem seguros para esses bugs de código, mais conhecidos como falhas no smart contract. A NEXUS.MUTUAL e a INSURACE.

A NEXUS.MUTUAL funciona com uma estrutura descentralizada de divisão de riscos. Praticamente como uma cooperativa de risco descentralizada. Eles têm um determinado capital e contam com o capital de terceiros que é depositado lá e que recebe parte do prêmio pago por quem quer comprar o risco de determinada plataforma.

Os seguros são oferecidos por vários prazos e tem preços que variam de acordo com o protocolo e a avaliação de risco que eles têm. Os pedidos de pagamentos pelos segurados são feitos na plataforma e a validação deles é feita pelo conjunto de investidores que tem incentivos alinhados com o futuro da plataforma e são penalizados caso sua votação seja contraria ao resultado da maioria dos votantes.

São dois os principais modelos de seguros no mercado financeiro tradicional. O primeiro é o de uma empresa centralizada que recebe prémios e ela garante, via modelos de risco, que terá capital necessário para pagar os seguros caso um incidente ocorra. Allianz, por exemplo, funciona nesse modelo.

O segundo modelo é o de um mutual, ou cooperativa de risco, onde vários agentes se juntam para eles dividirem o risco entre eles. Nesse modelo, o objetivo, na maioria das vezes, nem é ter lucro, mas fazer com que o risco que seria muito grande para um indivíduo sozinho possa ser diluído na cooperativa. A forma de atuação via prémios e sinistros é muito similar em ambos os casos.

A NEXUS.MUTUAL funciona seguindo esse segundo modelo, o de mutual. Ela já está aí desde 2017 e é registrada como um mutual na Inglaterra. Para comprar seguro é necessário ser um dos membros e para isso se faz necessário fazer um cadastro e se identificar, processo esse que é bem rápido e fácil.

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Uma outra alternativa é a INSURACE. Essa iniciativa é também descentralizada e tem como base para seu modelo uma gestão de risco via portfólio. Ao invés do investidor alocar capital para segurar um determinado protocolo ele investe em um portfólio diversificado e um algoritmo determina o quanto de seguro, e a que preço (prêmio), será disponibilizado para cada um deles individualmente.

Para fazer o seguro com ela não é necessário ser um associado nem fazer nenhum cadastro, simplesmente indicar a chave publica para a qual quer fazer o seguro.

A INSURACE é bem mais nova, tendo iniciado em 2021, mas já passou por alguns testes de fogo importantes. Eles, por exemplo, proveram seguros contra a perda de paridade do UST, stablecoin do ecossistema da Terra que colapsou em maio de 2022. O processo de sinistro, foi levantado pelos detentores do seguro e a plataforma pagou a todos que devidamente comprovaram o prejuízo que tomaram.

O interessante da INSURACE é que além do seguro contra falhas no smart contract ela também oferece seguros contra o de-peg de stablecoins, e risco de custódia de CEX e DEX, ou seja, tem um escopo de seguros maior do que o da NEXUS.MUTUAL. Além disso, ela tem a Parafi Capital e a Alameda Research como investidores.

Ambas as plataformas disponibilizam em seus sites as estatísticas referentes aos seguros pagos e o quanto tem de valores segurados no total e por plataforma. É possível ver e analisar isso de uma forma bastante fácil.

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Nas duas os custos de seguro variam muito e vale dar uma boa lida no que está sendo segurado. Diferente do mercado tradicional de seguros de carro, por exemplo, onde é meio que padrão os fatores que geram sinistro, aqui o mercado ainda está em formação, e é recomendado entender bem seguro contra o que se está comprando.

Além disso, esse mercado em cripto ainda é muito pequeno, mas está crescendo exponencialmente, e ainda não temos mecanismos de resseguros como no mercado tradicional. De tal forma que cada uma dessas plataformas atua de maneira independente.

No mercado tradicional de seguros toda seguradora a partir de um determinado valor é obrigada a dividir seu risco com outras entidades via mecanismos de resseguros, o que torna o sistema mais resiliente ao risco individual de uma única seguradora.

Vale lembrar que um dos casos mais emblemáticos da crise de 2008 teve uma seguradora em seu epicentro quando, após a quebra da Lehman Brothers, a AIG, maior seguradora americana na época, teve que ser estatizada pois todo o sistema bancário americano estava ancorado nela via um produto conhecido como CDS (credit default swap). Isso demonstra que nesse caso o mecanismo de resseguros não é uma bala de prata, mas melhor tê-lo do que não. Quanto a isso não há discussão.

Citei duas iniciativas aqui que foram as plataformas que vi com melhor reputação, controle, modelo, mas já existem várias outras. Vale sempre a recomendação de que faça sua própria pesquisa antes de comprar qualquer coisa e em seguros de cripto não é diferente.

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Uma coisa que não encontrei ainda alguma iniciativa confiável que provesse seguro para bridges entre ou intra layers 1 ou 2. As bridges têm sido um dos focos dos hackers nos últimos trimestres e ter algum tipo de seguro contra isso pode ser um bom acelerador para o mercado de Layers 2, por exemplo. Se conhecer, ou tiver alguma iniciativa nesse sentido, por favor entre em contato comigo.

Para mim está claro que a maturidade de cripto está chegando a passos largos. O fato de termos um mercado de derivativos já atuante, com iniciativas que só são possíveis em cripto, e agora com a possibilidade de fazermos seguros de risco de erros de código (smart contracts) é um ótimo indicador disso. E você, o que acha? Já fez ou pensou em fazer seguro de alguma cripto que tem?

Fico por aqui e aguardo seu feedback.

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Gustavo Cunha Autor do livro A tokenização do Dinheiro, fundador da Fintrender.com, profissional com mais de 20 anos de atuação no mercado financeiro tradicional, tendo sido diretor do Rabobank no Brasil e mais de oito anos de atuação em inovação (majoritariamente cripto e blockchain)

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