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Drex: quando um nome mais confunde do que ajuda

Será o Drex uma nova moeda digital para o Brasil? Ou é apenas o nome da plataforma? A população terá acesso ao Drex da mesma forma que tem acesso ao Pix?
Por  Gustavo Cunha -
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Importante: os comentários e opiniões contidos neste texto são responsabilidade do autor e não necessariamente refletem a opinião do 7up7down ou de seus controladores

Após duas semanas desde o anúncio do novo nome da plataforma de Real Digital, o DREX, todos ainda estão tentando entender o significado deste nome.

Ao contrário do impactante nome Pix, as incertezas geradas por esse novo termo vão além da escolha do nome em si. Será o Drex uma nova moeda digital para o Brasil? Ou é apenas o nome da plataforma? A população terá acesso ao Drex da mesma forma que tem acesso ao Pix? São essas e outras dúvidas que vou tentar esclarecer abaixo.

Antes de responder a essas perguntas, é importante ressaltar que não estou diretamente envolvido no projeto. As opiniões apresentadas aqui são baseadas em conversas, contatos e estudos que tenho realizado sobre o assunto. Agora, vamos às respostas:

O Drex será a plataforma, ou seja, é o novo nome da REDE para o Real Digital. Não se trata de uma nova moeda. Não é uma alternativa ao Pix. Não é algo completamente novo que não tenha sido previamente anunciado. É, simplesmente, uma nova plataforma.

A forma mais simples de entender isso é comparar com as diferentes maneiras de negociar a moeda que temos atualmente. Independentemente de estarmos utilizando dinheiro em espécie, depósitos bancários ou cheques, a moeda é a mesma: o Real. O que muda é o formato ou, mais precisamente, o ambiente em que essa moeda está sendo transacionada. Com o Drex, será a mesma lógica. A moeda continua sendo o Real, mas agora terá uma nova plataforma pela qual poderá circular.

Outra maneira de entender isso é usando um exemplo que envolve o Pix, que todos nós já conhecemos bem. Em uma das lives que realizo quinzenalmente no Fintrender sobre moedas, surgiu um exemplo, envolvendo a negociação de um carro, que ilustra a utilização das duas plataformas em conjunto. Vou explicar.

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Imagine que a plataforma Drex já esteja funcionando e que nela haja uma representação tanto de um depósito bancário quanto do carro que estamos negociando. Através da automatização possibilitada pelos contratos inteligentes, será viável realizar uma transação trocando esses dois tokens (carro e tokenizado de Real), em que a liquidação do token do carro ocorra via Drex e a liquidação dos depósitos bancários seja feita pelo Pix.

Será esse o método mais simples e sugerido nos testes do piloto? Provavelmente não. Nos diagramas de fluxo que o piloto está planejando testar, a liquidação dos reais acontecerá por meio da queima do tokenizado de Real em uma instituição bancária ou de pagamento (usarei “IP” para simplificar), a transferência do Real Digital (CBDC de atacado) entre as IPs e a criação de um tokenizado de Real na instituição receptora dos valores. Tudo isso via Drex. Embora esse seja um caminho e, muito provavelmente, seja utilizado em todas as transações que envolvam liquidação atomizada (DVP na sigla em inglês), está longe de ser o único caminho. O exemplo acima é completamente viável.

Quanto ao acesso direto da população às funcionalidades do Drex, parece improvável no início. Ao contrário do Pix, que é uma plataforma de pagamentos instantâneos, na qual a ideia era que todos tivessem acesso e pudessem utilizá-la, no caso do Drex, será uma plataforma para a tokenização de tudo.

O Drex se tornará a infraestrutura financeira do Brasil no futuro. Assim como o STR desempenhou um papel crucial no desenvolvimento do sistema financeiro nacional, o Drex seguirá o mesmo caminho.

Como meu amigo Marcelo Deschamps disse em uma de nossas conversas, “o Drex é como um STR 2.0 usando DLT”. Embora seja uma simplificação, essa comparação é excelente porque, assim como tivemos Ted, Doc, etc., usando o STR para transações, teremos o Real Digital, Real Tokenizado, títulos públicos tokenizados, etc., no Drex. E assim como no caso do STR, apenas alguns participantes altamente especializados usarão o nome Drex.

Muito poucos de vocês que estão lendo este texto devem se lembrar ou saber sobre a implementação do STR. São outros tempos, com certeza, mas talvez toda essa divulgação e esforço em explicar um novo nome possam estar sendo mais úteis para explicar a plataforma em si, ao invés do nome.

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O modelo de moeda digital que o Banco Central do Brasil está testando neste primeiro piloto, envolvendo sua moeda digital em uma plataforma DLT, é a CBDC (Moeda Digital de Banco Central) de atacado, aliada a uma stablecoin de varejo. Em termos do projeto, na plataforma Drex teremos o Real Digital, que é a CBDC de atacado, negociada exclusivamente entre o Banco Central e os bancos e agentes autorizados (IPs, por exemplo), e o Real Tokenizado, que será a tokenização dos depósitos bancários. Além disso, também circularão títulos públicos tokenizados. O DREX não muda os conceitos e nomes do Real Digital, do Real Tokenizado ou de títulos públicos tokenizados para mim; ele se limita a ser o nome da plataforma, que apenas um pequeno grupo terá acesso.

Finalmente, fazia um tempo que não via a simples mudança de nome ou criação de um nome causar tanta confusão. Isso nos leva a refletir: por quê? Talvez tivesse sido melhor manter o nome “Rede do Real Digital” ou “RD”, como muitos já estavam chamando?

Talvez, mas a essa altura Inês já é morta, como afirma o dito popular! Agora, o melhor é simplesmente repetir para todos: Drex é a plataforma (ponto!). Vamos seguir em frente e voltar a discutir os benefícios, dúvidas e preocupações que a digitalização da nossa moeda, associada à tokenização, pode trazer para todos.

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Gustavo Cunha Autor do livro A tokenização do Dinheiro, fundador da Fintrender.com, profissional com mais de 20 anos de atuação no mercado financeiro tradicional, tendo sido diretor do Rabobank no Brasil e mais de oito anos de atuação em inovação (majoritariamente cripto e blockchain)

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