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Derivativos de cripto – um mercado muito maior do que o de criptoativos

Assim como o fez no mercado financeiro tradicional, derivativos estão dominando o mercado crypto
Por  Gustavo Cunha -
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Importante: os comentários e opiniões contidos neste texto são responsabilidade do autor e não necessariamente refletem a opinião do 7up7down ou de seus controladores

Derivativos é um tema que sempre traz grandes discussões ao mercado. São inúmeros os casos em que o uso de derivativos associados a alavancagem trouxe consequências ruins para os investidores e para o mercado.

A quebra do LTCM na década de 90, da Bear-Stearns, Lehman e Enron nas décadas seguintes, o caso da Sadia no Brasil e muitos outros mostram o impacto que derivativos associados a alavancagem podem ter.

Mas não só notícias ruins são associadas a esse instrumento. Hedge (seguro) é também muito associado a estruturas que utilizam derivativos. Compra de opção de venda sendo uma das mais comuns. O enorme sucesso de muitos fundos multimercados, está intimamente ligado ao uso de alavancagem e derivativos.

Derivativos facilitam muito a vida de gestores de recursos ao permitir uma maior eficiência na alocação de capital. Possibilitando a construção de estratégias com risco-retorno mais eficiente do que o somente utilizando o ativo no mercado spot, à vista.

Bem, mas onde entra cripto aqui?

Cripto já tem um mercado de derivativos muito avançado, com um volume de negociação enorme e com tipos de derivativos que não existem no mercado financeiro tradicional.

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Vamos começar pelo volume.

Hoje temos um volume de negociação do mercado derivativo de cripto que é quase 4 vezes o volume do mercado spot. Dados compilados pela FTX, mostram que temos um movimento diário de derivativos de US$ 70 bilhões por dia ao passo que o mercado spot negocia por volta de US$ 20 bilhões.

Se compararmos com o mercado financeiro tradicional esse percentual derivativos/spot é um número mais difícil de ser encontrado, mas pegando o mercado de cambio como exemplo, no relatório trianual de 2019, último emitido pelo BIS, o percentual de derivativos/spot era de 3.25 vezes. Nada muito diferente do mercado cripto hoje.

Quanto a instrumentos derivativos, a grande vedete no mercado cripto são os futuros perpétuos, ou seja, futuros sem vencimento definido. A ideia parece uma loucura, mas são de uma genialidade digna das grandes invenções. Não vou me alongar muito sobre ele pois já escrevi um artigo somente sobre ele e que podem acessar aqui.

Em relação a estratégias que utilizam derivativos, a da moda é a compra de ETH a vista e venda de futuro. Dado a iminência do merge do Ethereum (ETH), que transformará a rede em POS, cada vez fica mais claro que haverá um fork da rede, criando assim uma nova rede, e um novo token, que será distribuído a todos os detentores do Ethereum no mercado spot, e só para eles.

Com essa estratégia, você estaria “hedgeado” contra o preço do ethereum e ganharia de “brinde” esse novo token. Apesar de parecer bastante segura essa operação, óbvio que tem riscos, e o maior deles está na taxa de funding do contrato futuro perpetuo ou a taxa de juros negativa entre o spot e os contratos futuros com data definida (que também existem em cripto!).

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Estratégias mais complexas podem ser também montadas, como bem descreve esse report da glassnode.

Uma das grandes diferenças que vejo do mercado de derivativos cripto para os do mercado financeiro tradicional, é que é através dele que grande parte da alavancagem dos agentes é feita e todas as exchanges que trabalham com isso tem mecanismos automatizados de controle de margens de garantia e zeragem das posições casos essas garantias fiquem abaixo dos limites determinados.

Diferentemente do mercado financeiro tradicional, onde essas chamadas de margem podem ser, e em grande parte são, não automatizadas, e por conseguinte o risco sistêmico é maior, no caso de crypto é tudo automatizado e amplamente testado nos últimos anos em um mercado com uma volatilidade enorme. Pouquíssimos são os casos de problemas em relação a isso nos últimos anos, o que demonstra uma resiliência enorme do mercado. O Brasil tem uma posição diferenciada nesse quesito, pois a B3 tem um sistema de garantia e um nível de automatização pouco encontrado em outras bolsas mundiais.

Outro ponto importante é como os vários reguladores do mundo estão vendo esse movimento de derivativos em cripto. No Brasil, por exemplo, não é permitido que nenhuma exchange brasileira ofereça tal produto, que teria que ser oferecido pela B3.

Na B3 já é possível registrar operações de balcão com derivativos de cripto, e um futuro e cripto listado está previsto deve vir ainda esse ano. Nos EUA a discussão é similar, com a CME já tendo um futuro de bitcoin (BTC) listado há alguns anos, mas no caso da exchanges de cripto isso ainda é um produto quase inexistente.

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Ao mesmo tempo que dá para entender a postura mais conservadora dos reguladores em relação a derivativos, até pelos impactos das histórias que listei no início desse artigo, é inegável que esse mercado não limitará seu crescimento por conta disso e quanto antes uma solução for encontrada, melhor para todos, reguladores, investidores, exchanges etc.

Por fim, outro tema dentro de derivativos é o de derivativos em exchanges descentralizadas (DEX). Novos modelos bem interessantes estão surgindo, desde a já consolidada DYDX, até a mais nova GMX, isso sem contar que não deve demorar para as grandes DEX de spot, uniswap e curve entre as maiores, venham com soluções para derivativos, mas isso é assunto para outro artigo.

Fico por aqui e aguardo seu feedback.

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Gustavo Cunha Autor do livro A tokenização do Dinheiro, fundador da Fintrender.com, profissional com mais de 20 anos de atuação no mercado financeiro tradicional, tendo sido diretor do Rabobank no Brasil e mais de oito anos de atuação em inovação (majoritariamente cripto e blockchain)

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