7up7down - Gustavo Cunha - Coluna - 7up7downhttps://www.saeidesign.com/colunistas/blog-do-cunha/Notícias, ações e muito mais sobre investimentos. Informação que vale dinheiro.Tue, 12 Dec 2023 19:59:26 +0000pt-BR hourly 1 https://wordpress.org/?v=6.4.3https://www.saeidesign.com/wp-content/uploads/2019/10/IM-Favicon.png?fit=32%2C32&quality=70&strip=all7up7down - Gustavo Cunha - Coluna - 7up7downhttps://www.saeidesign.com/colunistas/blog-do-cunha/32327up7down - Gustavo Cunha - Coluna - 7up7downhttps://www.saeidesign.com/colunistas/blog-do-cunha/a-narrativa-que-faltava-para-todos-virarmos-mineradores/Tue, 12 Dec 2023 19:00:41 +0000https://www.saeidesign.com/?post_type=colunistas&p=2321390Foto de stock de Scyscrappers e pequenas cidades com detalhes wireframe e linhas de conexão de tecnologia.A proliferação de infraestruturas descentralizadas agora tem uma narrativa única

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Nos últimos anos, tem me fascinado cada vez mais o quão poderosa pode ser uma narrativa e os impactos na aceleração de novos modelos de negócio, comunidades e, por consequência, as mudanças que ela traz. E, recentemente, tenho começado a esbarrar muito na narrativa do DEPIN, Decentralized Physical Infrastructure Networks, ou, em tradução livre, infraestrutura de redes físicas descentralizadas.

O conceito não é algo novo. Há mais de dois anos, quando escrevi o texto “Seremos todos mineradores”, essa dinâmica de descentralização de infraestrutura já demostrava seu poder de causar a disrupção de vários setores. A diferença é que hoje temos um guarda-chuva, ou melhor, uma narrativa, para encampar todas essas iniciativas: a DEPIN.

Mas o que é a DEPIN e quais seus possíveis impactos e desafios? E por que colocar isso dentro de uma narrativa – ou uma sigla muda algo?

A DEPIN representa um conceito no qual a infraestrutura física, como sistemas de comunicação, data storage, processamento computacional etc., é operada e gerida de maneira descentralizada. Esse conceito contrasta com os modelos tradicionais de infraestrutura, que são tipicamente centralizados e controlados por poucas entidades ou autoridades.

Na DEPIN, a ideia é distribuir a responsabilidade e o controle da infraestrutura física entre múltiplos atores, que podem ser indivíduos, comunidades, empresas ou até sistemas automatizados. Esta abordagem descentralizada oferece várias vantagens, como resiliência a falhas e ataques, ser mais eficiente e flexível, maior velocidade de implementação, governança descentralizada, entre outros.

Isso tudo requer um modelo de incentivos muito bem pensado e realizado, já que a criação e manutenção dessa infraestrutura é feita de maneira descentralizada, por meio de incentivos, e não centralizada, muitas vezes imposta pelo governo ou estado.

O caso da Helium é emblemático. Em menos de dois anos, eles conseguiram criar uma infraestrutura de comunicação de internet das coisas (IoT, na sigla em inglês) mundial e que está começando a migrar para uma rede de 5G, com o lançamento de um plano de celular nos EUA que utiliza sua infraestrutura. Isso sem ter investido praticamente nada em infraestrutura de telecomunicações. Todo investimento foi feito pelos usuários, que compraram os equipamentos que são a base da infraestrutura da rede e que têm ganho tokens por terem essa rede de pé e ganharão futuramente com o tráfego de dados dela.

Outro exemplo é o da Filecoin, que pretende descentralizar o armazenamento e processamento de dados, ou “cloud”, como chamamos. Esse mercado tem “cheiro, cor e sabor” de um mercado esperando para ser atacado. Quando digo atacado, quero dizer no sentido de que é um mercado que envolve muito dinheiro, é muito concentrado (AWS, Microsoft e Google detém mais de 65%) e tem uma escala mundial. Três pontos que brilham os olhos de qualquer empreendedor.

No Brasil, o surgimento de inúmeras fintechs em meados da década de 2010 foi exatamente em setores que cumpriam esses três pontos: crédito e meios de pagamento. Aqui vejo acontecendo algo semelhante, mas em uma magnitude global, descentralizada e que afeta diretamente gigantes de tecnologia. Tudo isso torna o jogo completamente diferente.

Dito isso, se tem um setor que está na alça de mira de DEPIN é o de processamento e armazenamento de dados na nuvem (cloud). O tempo dirá se tenho razão ou não.

Mas voltando ao ponto, o que tenho visto recentemente é que a narrativa de descentralização de infraestrutura começa se expandir muito. Ter um “nome” que engloba essas iniciativas torna o poder de alcance e conhecimento delas muito maior. Já vimos isso em cripto com termos como DEFI e não só em cripto, o próprio termo fintechs ajudou muito o crescimento e compreensão desse setor. À medida que colocamos essas iniciativas dentro de “caixinhas” fica mais fácil para entendermos o que elas fazem, seu impacto, como participamos, ampliando dessa forma seu impacto.

Narrativas são parte da necessidade humana de compreender o mundo ao nosso redor. No momento que temos ela colocada em um setor que tem cheiro de setor que está pronto para ser transformado, “junta-se a fome com a vontade de comer”.

Qual o maior entrave para o crescimento desse movimento? O primeiro é a regulação. Como o governo irá tributar as pessoas que estão gerando a rede para a infraestrutura de 5G da Helium? Quanto será cobrado de impostos sobre os tokens que você receber por disponibilizar sua capacidade de processamento de dados que têm sobrando no seu computador? Isso só para pegar um aspecto dessa mudança, que é o aspecto tributário. Temos também questões de cibersegurança, acesso a dados, resiliência da rede, concessões de infraestrutura que o estado vendeu para iniciativa privada, entre outros que têm que ser analisados.

O setor de energia e telecomunicação, por exemplo, é um que tem uma regulamentação muito forte, o que pode tornar os desenvolvimentos de DEPIN mais lentos nesse setor. Diferentemente desses, o setor de cloud e processamento de dados é um setor com bem menos regulação. Isso para citar três setores nos quais tenho visto mais iniciativas de DEPIN sendo desenvolvidas.

Um ponto importante é que mesmo que a regulamentação seja capaz de atrasar esse movimento rumo a DEPIN, me parece que isso é inevitável no médio e longo prazo. Pegue, por exemplo, a rede 5G. É preciso ter antenas muito perto umas das outras e fazer isso de maneira centralizada é caro, ineficiente e demorado. Faz muito mais sentido resolver isso de maneira descentralizada.

Um outro aspecto dessa narrativa é a rede que elas estão usando: a Solana. Após a debacle da FTX no final de 2022, essa rede ficou meio que moribunda por um tempo, mas nos últimos meses tem ressurgido das cinzas, com vários projetos sendo anunciados e muita movimentação de protocolos de DEPIN. Confesso que nunca a estudei muito a fundo e tenho um pouco da imagem dessa rede no seu começo, quando havia dias em que ela ficava fora do ar. Mas com essa quantidade de iniciativas a utilizando, já vejo a necessidade de entender melhor seu funcionamento, vantagens e diferenças dela em relação ao que temos no ecossistema da Ethereum.

Além disso, para 2024, já começo a me organizar para voltar a estudar esse tema que é espetacular e que adorei quando interagi com Helium e algumas outras no final de 2020. Sempre vi grande potencial nessas iniciativas e, com a colocação de uma narrativa e um nome (DEPIN) nelas, me parece que chegou a hora de serem implementadas e tirarem vários setores da zona de conforto.

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7up7down - Gustavo Cunha - Coluna - 7up7downhttps://www.saeidesign.com/colunistas/blog-do-cunha/cz-e-sam-altman-lideres-de-mundos-tecnologicos-distintos/Mon, 27 Nov 2023 14:00:24 +0000https://www.saeidesign.com/?post_type=colunistas&p=2307685Explorando as diferenças e semelhanças dos últimos acontecimentos

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Recentemente, tivemos dois fatos bastante marcantes no mundo tech. Mas ambos foram tratados como temas sem relação alguma. Mas será que são?

Quem já acompanha inteligência artificial (IA) ou blockchain certamente acompanhou o episódio de demissão pelo conselho da OpenAI do seu CEO, Sam Altman, sua posterior ida para tocar uma área só dele na Microsoft e, no melhor estilo “a volta dos que não foram”, seu retorno como CEO da OpenAI, mas com a devida reestruturação do board da empresa.

No caso de Changpeng Zhao (CZ), ele se declarou culpado no processo da Justiça americana contra ele e a Binance, tendo que deixar de ser o CEO da exchange, além de pagar pessoalmente uma multa de US$ 50 milhões – a Binance pagou uma multa de mais de US$ 4 bilhões.

As diferenças entre os dois casos saltam logo aos nossos olhos. O primeiro foi um caso de briga por poder corporativo entre o board de uma empresa e seu CEO, na qual claramente o board não estava ciente do carisma e poder que Sam tinha na empresa (além de Greg Brockman, presidente e cofundador da OpenAI, cerca de 700 dos 750 funcionários assinaram carta conjunta dizendo que iriam com Sam para onde ele fosse). Ou seja, o board, ou o que sobrou dele, teve que se mexer rapidamente para a empresa não acabar.

No caso de CZ, foi um processo jurídico criminal que aconteceu nos EUA acusando a Binance de facilitar a lavagem de dinheiro e atividades ligadas ao terrorismo. Aqui, vale colocar também uma diferença entre o que aconteceu com o CZ com outra sigla famosa no meio, SBF: Sam Bankman-Fried, cofundador da FTX. SBF cometeu uma fraude que levou a FTX à bancarrota e carregou consigo milhares de investidores e usuários da plataforma. Já a Binance continua operacional e não houve fraude, mas sim um processo administrativo que deveria estar presente para não deixar atividades ilícitas serem feitas na exchange. Esse tipo de investigação e processo sempre acontece no mercado financeiro tradicional. Por exemplo, há pouco mais de 10 anos, o HSBC fez um acordo semelhante com a justiça americana, pagando cerca de US$ 1 bilhão por seu envolvimento com atividades possivelmente ilícitas relacionadas ao Irã.

Bem, essas são as diferenças. Mas será que existem também semelhanças entre os casos de Sam Altman e CZ? Eu vejo algumas.

A primeira delas é que estamos falando de grandes líderes de duas tecnologias, ou melhor, indústrias, ambas com um poder enorme de mudar o mundo: cripto/blockchain e IA. Não há como separar essas indústrias dessas duas pessoas. CZ já está na mídia e é reconhecido publicamente há muito tempo. Altman ficou mais famoso mais no último ano, com o lançamento do ChatGPT pela OpenAI, mas dado todo seu impacto, discussão e mídia, todos hoje sabem quem ele é.

Os dois são empreendedores e, nesse caso, assumem riscos consideráveis nas suas decisões. Um em uma indústria imensamente regulada: o mercado financeiro. O outro em um ambiente amplamente desregulado: a tecnologia, de modo geral. Nesse sentido, estaria o board da OpenAI fazendo, de alguma forma, o papel que a Justiça americana fez com a Binance e o CZ, colocando limites na sua atuação e delimitando o que é “legal”? Difícil saber, mas o fato de o campo de atuação da OpenAI ser pouquíssimo regulado pode gerar esse tipo de pergunta.

Outra semelhança entre eles é que ambos já são muito ricos. A fortuna estimada do CZ é estimada em US$ 10 bilhões – um valor que pode ser muito maior, devido à dificuldade dos sistemas tradicionais de estimar valores de tokens cripto –, enquanto o Sam Altman deve estar rondando a casa do bilhão de dólares.

Hoje, qualquer um dos dois tem dinheiro, conexões e capital político para mover indústrias e fazer o que quiserem. Isso, aliado ao carisma de Altman, acaba fazendo o board refém dele e não o contrário. Será que o board da OpenAI não considerou isso? Talvez sim, mas agiu como se isso não estivesse presente. Deu no que deu.

Não considero o CZ tão carismático e sua briga não foi interna, mas com um regulador poderoso e do qual ele ainda não se livrou totalmente, pois ainda corre um processo criminal que pode levá-lo para prisão por até 18 meses. Por outro lado, sua fortuna pessoal é muito maior que a de Altman.

Uma outra semelhança é que ambos ainda são jovens. CZ tem 46 e Altman tem 38. Além disso, nenhum dos dois tem perfil de quem vai comprar uma ilha no Caribe e ficar lá sem fazer nada. Ainda conviveremos por muito tempo com eles empreendendo, trazendo novidades e soluções que nos ajudarão.

Mas uma questão essencial é a indústria em que eles estão inseridos. Cripto, por suas utilidades, se assemelha muito a dinheiro/moeda. Portanto, puxa para si toda a regulamentação do mercado financeiro mundial. Isso não acontece com a inteligência artificial. Hoje, não vejo como a OpenAI possa ser processada por facilitação de lavagem de dinheiro, por exemplo. Enquanto isso, qualquer exchange cripto tem esse risco sempre presente.

Isso quer dizer que temos que regular a IA? Essa é outra discussão. Mas, pegando a fala do Andrew McAfee, professor do MIT, que assisti durante o último WebSummit: limitando ou não o desenvolvimento de IA, teremos que lidar com os caminhos obscuros que essa tecnologia vai trilhar. Na opinião dele, a melhor forma de atuar nessa situação é ter uma forma fácil e rápida de corrigir erros e não tentar limitar a inovação.

Olhando para frente, temos agora um Sam Altman com muito mais poder dentro do OpenAI, com uma validação não somente do novo board, como também dos cerca de 750 funcionários da OpenAI. Vale uma ressalva aqui para o número de funcionários da OpenAI em comparação com seu valor estimado, cerca de US$ 90 bilhões.

Do lado do CZ, ele deixou claro que vai descansar um pouco e que não quer mais controlar nenhum negócio no futuro (será?), dizendo que deve ser investidor de algumas iniciativas e que ficou feliz pois agora terá mais tempo para se dedicar a DEFI 🥳. O mercado cripto já começa a especular o que vem por aí. Lembrando que CZ já tem iniciativas bastante diversas, incluindo, por exemplo, a rede de blockchain BNB.

Para mim, fica claro que estamos tratando de duas pessoas que trouxeram iniciativas incríveis até agora e que duvido que tenham parado por aí. Duas pessoas que serão protagonistas das principais tecnologias que estão mudando o mundo e que devemos acompanhar de perto.

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7up7down - Gustavo Cunha - Coluna - 7up7downhttps://www.saeidesign.com/colunistas/blog-do-cunha/juros-em-stablecoins-a-batalha-entre-dai-usdt-e-usdc/Tue, 14 Nov 2023 17:09:44 +0000https://www.saeidesign.com/?post_type=colunistas&p=2297191StablecoinsComo a decisão do MakerDao e da Tether entrar no mercado de RWA está mudando as stablecoins

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A MakerDao é um dos principais protocolos de DEFI, emissor da stablecoin DAI, e tem, desde abril de 2023, feito uma migração de suas reservas de stablecoins para um token representativo de títulos públicos americanos, ou se preferirem um token de RWA (real world asset). Isso tem impactado e muito o volume emitido de stablecoins, mais notadamente da USDC da Circle, sobre a qual, por sinal, tivemos várias indicações na semana passada de que eles planejam fazer um IPO no início de 2024. Mas como isso afeta o mercado de stablecoins? Rumaremos para o cenário que já descrevi aqui de só termos stablecoins que paguem juros implicitamente? Ou um cenário onde a relação entre stablecoins emitidas e transações delas só vá crescer?

Antes de entrarmos nessas questões, vamos aos fatos. Um dos grandes questionamentos dos mais libertários do mundo crypto sobre a atuação da MakerDao vem do fato dessa ter introduzido stablecoins às suas reservas, o que tornou o link entre um protocolo nativo de DEFI e o mercado financeiro tradicional muito grande. Com aproximadamente 40% das reservas de DAI em USDC esse link (e risco) estava presente e, apesar de todos saberem, eram justificados pela maior estabilidade que isso dava ao DAI e assegurava que o protocolo se manteria solvente, executável e funcionaria plenamente mesmo em momentos em que os tokens cripto variassem imensamente de valor.

Bem, em abril, com a quase quebra do Silicon Valley Bank, no qual a Circle detinha um percentual das reservas do USDC, esse último descolou bastante da sua paridade com o dólar durante o fim de semana e, pelo fato da MakerDao ter reservas significativas em USDC, fez com que o DAI também perdesse a paridade. Sinal amarelo acesso, a comunidade da MakerDao começou a se movimentar para tentar encontrar soluções para, ao mesmo tempo, conseguir ter um lastro que fosse menos volátil, mas que não dependesse de alguma outra entidade.

Nesse caminho, uma constatação óbvia foi a de que em vez de deter stablecoins. faria muito mais sentido deter títulos públicos diretamente, ainda mais em um ambiente no qual os juros americanos não estão mais próximos de zero e devem permanecer assim por um bom tempo.

O business de se criar stablecoins, que era um negócio até dois anos atras que tinha uma receita muito pequena e certa dificuldade de se manter em pé do ponto de vista financeiro, a partir do momento que o Fed começou a subir os juros virou um negócio da China. Veja por exemplo a Tether, que hoje tem perto de US$ 85 bilhões de USDT emitidos. O lastro desse USDT está aplicado em sua imensa maioria em títulos públicos americanos, que com juros atuais de 5% a.a., e que geram anualmente uma receita de aproximadamente US$ 4 bilhões. É dinheiro! Com o USDC acontece o mesmo.

Agora lhe pergunto, porque grandes “carregadores” de stablecoins deixariam esse dinheiro todo nas mãos dessas empresas ao invés de se apossar dele? É o que a MakerDao está fazendo.

Desde abril, a Maker começou a migrar de USDC para RWAs de títulos públicos americanos e é hoje a maior proprietária de RWAs de títulos públicos americanos em cripto. De quanto estamos falando? A Maker hoje detém aproximadamente US$ 3 bilhões em títulos públicos americanos que lhe dão uma receita anual por volta de US$ 750 milhões, representando isso por volta de 80% da receita da Maker atualmente. Acredita? Essa mudança de USDC para RWA da Maker foi o principal fator para uma geração de receita para o protocolo incrível.

Se pegarmos o ranking da Defilhama, os dois maiores detentores de RWAs são o Makerdao e o StUSDT. Ambos muito perto de US$ 3 bilhões. A seguir, o gap é gigante, com a OndoFinance com algo como US$ 200 milhões. Essa possibilidade de se fazer staking de DAI e USDT e receber um pedaço desse lucro gerado pelos RWAs é um dos fatores que explica o aumento do marketcap dessas duas stablecoins. O crescimento dos dois tokens de staking (sDAI e SusdT) tem sido enorme nos últimos meses.

Na contramão, temos a USDC que, nos últimos meses, teve uma queda incrível no seu “marketcap”. Mas, mesmo assim, ela segue sendo a segunda principal stablecoin. Das três, o USDC é o único que não entrou na onda de devolver um pedaço do resultado gerado pelo seu lastro aos usuários por meio de staking da sua stablecoin. Será esse o fator da sua queda? Ou estaria mais atrelado à falta de confiança após o que ocorreu com o Silicon Valley Bank em abril?

Por fim, deixo algumas questões para as quais ainda não tenho resposta: será esse movimento de stablecoins rumo às staked stablecoins (sDai, StUSDT, …) é um estopim do movimento que já comentei aqui, de usarmos moedas com juros implícito e não mais moedas sem juros? Em quanto tempo o movimento desses “staked tokens” vai suplantar o movimento das stablecoins em si? Haverá aqui o mesmo efeito do Eth e StETH? Essas são perguntas que serão respondidas em breve e que acompanharemos por aqui.

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7up7down - Gustavo Cunha - Coluna - 7up7downhttps://www.saeidesign.com/colunistas/blog-do-cunha/guerra-inflacao-e-investimentos/Tue, 31 Oct 2023 17:00:53 +0000https://www.saeidesign.com/?post_type=colunistas&p=2282123Foto de stock de Quebra-cabeçaQual a melhor carteira de investimento para os próximos anos?

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A esta altura, já deve estar claro para todos que o mundo que enfrentaremos daqui em diante, no que tange a conflitos políticos e inflação, será muito diferente do mundo em que vivemos nos últimos 15 anos. Desde 2008, tivemos um mundo focado em questões econômicas e em como reativar as economias, gerar inflação. Questões políticas e conflitos, ou seja, guerras, para ser direto, ficaram limitados a economias menos impactantes no mundo como um todo. Bem, isso claramente mudou.

Hoje, no final de 2023, temos dois grandes conflitos em andamento, um envolvendo uma das maiores economias do mundo, a Rússia, e outro, mais recente, que envolve uma região do planeta que historicamente sempre foi palco de muitos conflitos, mas que experimentou vários anos de relativa estabilidade.

Adicionando a esse cenário, temos um mundo com mais inflação de forma geral. Essa inflação é resultado da grande emissão monetária dos últimos anos devido à crise de 2008, ou feita para lidar com a pandemia, e também da menor globalização no futuro. Isso ocorre porque o cenário de guerras e conflitos descrito acima torna o ambiente internacional menos atrativo para a diversificação de linhas de produção em várias partes do mundo.

Esses dois fatores, guerra e alta inflação, não estiveram presentes no mercado e, para ser sincero, com exceção de algumas pessoas, nem nas discussões nas últimas décadas. São mudanças significativas que devem ser consideradas nas decisões de investimento nos próximos anos.

O primeiro aspecto que gostaria de abordar é a tecnologia. Como o blockchain e a inteligência artificial (IA) entram nesse cenário e como isso pode afetar as empresas e nossos investimentos?

O cenário que se apresenta claramente é um cenário de maior aversão ao risco. Isso deve reduzir o apetite das pessoas para investir em ativos muito arriscados. Uma das consequências desse cenário é um padrão mundial de juros mais altos, já que todos os países tentarão controlar seus processos inflacionários. Isso, por si só, já freia o interesse em investimentos mais arriscados. Investir em tecnologia, para mim, se enquadra nessa categoria. Quando investimos em uma startup ou uma empresa direciona investimentos para pesquisa e desenvolvimento, o resultado disso é muito incerto. Dará certo? Conseguiremos desenvolver um produto com bom encaixe no mercado? Ele terá sucesso? São apenas algumas das perguntas.

Por outro lado, temos uma onda que se formou nos últimos anos e está ganhando força. Os ganhos de eficiência que pessoas e empresas conseguem obter com o uso de IA são incríveis. Esse aumento de produtividade pode conter o efeito inflacionário e reverter esse aspecto econômico desse cenário? Ou a desglobalização, conflitos e emissão monetária passada serão mais poderosos nesse processo? Há também uma questão importante de timing nisso, pois, como todos nós brasileiros sabemos, a inflação tem um fator inercial importante, e no caso da economia brasileira, é ainda mais preocupante, uma vez que os mecanismos de correção da inflação ainda estão presentes e podem ser acionados a cada aumento da inflação.

Em termos de investimentos, a tecnologia também tem um fator “o vencedor leva tudo”, o que significa que os vencedores se tornam grandes vencedores e os perdedores ficam pelo caminho. A criação nos últimos anos das “Big 5” (Microsoft, Amazon, Netflix, Google e Meta) ilustra isso. Empresas que não existiam há muito pouco tempo hoje dominam a vida de qualquer pessoa ou empresa. Já imaginou passar um dia sem interagir com pelo menos uma delas? É impossível.

Isso me leva a concluir que há espaço para alocar investimentos nesse setor, sem dúvida alguma. Mas onde investir? Em uma delas ou em alguma que está se destacando?

No que se refere a conflitos e guerras, estou longe de ser um especialista, mas dado que os conflitos entre Rússia e Ucrânia já duram mais de um ano, e esse mais recente entre Israel e Hamas envolve discussões e disputas que têm décadas, se não séculos, não vejo a situação se acalmando tão cedo. E sempre paira a espada sobre a discussão de Taiwan. Estaremos entrando em um período semelhante à Guerra Fria da década de 1980? Esse cenário elevará o preço do petróleo de forma estrutural e, consequentemente, a inflação em todo o mundo?

Um ponto importante nesse cenário é que os seres humanos, devido aos nossos vieses, tendem a ter uma memória curta em relação aos acontecimentos políticos e econômicos. É importante lembrar que durante a gestão de Paul Volker (1979-1987), as taxas de juros nos EUA atingiram 20% ao ano, com uma taxa mínima de 6% durante esse período. Estou dizendo que estamos caminhando para esse cenário? Claro que não considero isso como o cenário principal atualmente, mas uma coisa é clara para mim: a probabilidade disso acontecer hoje é maior do que era há dois ou três anos, e não deve ser descartada.

Dentro de uma estratégia de anti-fragilidade, fazendo referência a conceitos como “cisne negro” (embora, neste caso, não o considere como tal, uma vez que já ocorreu no passado), o que devemos fazer é ter investimentos que estejam de acordo com o que prevemos, mas que também não nos leve à ruína se estivermos errados. O que estou trazendo aqui é que nossos investimentos hoje devem considerar cenários como o descrito acima.

Uma das formas de fazer isso é através da diversificação. Diversificar em termos de setores, países, tipos de ativos e assim por diante. Ter imóveis em locais mais seguros, em economias mais estáveis, em moedas menos impactadas, possuir títulos de dívida (preferencialmente vinculados à inflação) de países com histórico sólido de pagamentos, ter algum investimento em commodities (ouro, prata e por que não, Bitcoin), e também uma parcela em ações de empresas que são essenciais para nossas vidas (empresas de água, energia e, claro, tecnologia, como as Big 5) são apenas exemplos de como fazer isso.

Também é importante manter o controle sobre a liquidez, para não ser forçado a vender ativos em momentos ruins de curto prazo. Isso pode acontecer e até mesmo mudar as premissas do cenário que descrevi acima. Estamos falando de um processo dinâmico com inúmeras variáveis, o que torna o processo de investimento, a preservação do poder de compra a longo prazo, ou simplesmente economizar dinheiro para o futuro, algo fascinante, mas não totalmente previsível ou algoritmizável.

Espero que este texto tenha ajudado a refletir sobre esses assuntos. Mais do que oferecer uma receita pronta, que certamente seria falha, pois esse processo deve ser personalizado, meu objetivo aqui é apresentar o cenário que estou observando, minha forma de pensar e promover discussões e debates internos e com outras pessoas sobre como devemos agir para investir melhor.

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7up7down - Gustavo Cunha - Coluna - 7up7downhttps://www.saeidesign.com/colunistas/blog-do-cunha/tokenizacao-nao-e-digitalizacao/Tue, 17 Oct 2023 17:00:14 +0000https://www.saeidesign.com/?post_type=colunistas&p=2269454Tokenização, moeda digital, criptoA digitalização já está avançada em vários setores. A tokenização ainda está em sua infância

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Tokenização e digitalização são dois conceitos que, embora possam parecer semelhantes à primeira vista, têm diferenças fundamentais quando nos aprofundamos em seus detalhes e aplicações.

A digitalização refere-se ao processo de converter informações analógicas em formato digital.

Por exemplo, quando você tira uma foto de um documento em papel e a salva em seu computador, você está digitalizando esse documento. Essencialmente, a digitalização torna as informações mais acessíveis e fáceis de serem compartilhadas, armazenadas ou processadas em plataformas digitais.

A tokenização é o processo de converter os direitos de um ativo em um token digital que pode ser movido, registrado ou armazenado em um sistema de blockchain.

Esses tokens podem representar uma variedade de ativos tangíveis e intangíveis. A tokenização torna possível criar uma representação digital segura de ativos reais, proporcionando liquidez, transparência e a possibilidade de fracionamento desses ativos.

Quando compramos um CDB de um banco, um título público no Tesouro Direto, ou até mesmo ações ou derivativos na B3, já estamos acostumados a receber uma simples confirmação por e-mail ou pelo celular dessa compra. Não há mais nada palpável. Não recebemos a ação em si ou o CDB. Recebemos confirmações que nos garantem – dadas as instituições que estão por trás e todos os reguladores que os supervisionam – que aquele valor investido é nosso e que, consequentemente, temos direito a tudo que for originado dele.

Dada essa desmaterialização, “obra da nossa capacidade de fazer ficção”, como bem colocou Yuval Noah Harari no livro “Sapiens”, a tarefa do blockchain fica muito mais fácil. Esta plataforma tecnológica, que foi inventada com o advento do Bitcoin, possibilitou que valores de transações pudessem ser feitos (e registrados) entre desconhecidos, de maneira segura, imutável e distribuída.

As características de transferência de titularidade, imutabilidade e segurança abrem um caminho imenso para que todos os valores mobiliários que conhecemos hoje, e que já estão desmaterializados, possam dar um novo passo em consonância com os reguladores. O passo é exatamente o de uma maior “desintermediação do mercado financeiro global”, e que se seguirá de uma maior globalização dos investidores e produtos financeiros.

Pensem que, para um brasileiro comprar uma ação de uma empresa de tecnologia americana hoje, temos basicamente duas alternativas. A primeira é comprar dólares, enviar para uma conta de uma corretora nos EUA, onde, por meio do sistema dessa corretora, compraremos as ações na bolsa. A segunda é comprar diretamente no Brasil o BDR dessa ação. Essa segunda opção eliminaria a necessidade de fechar câmbio para dólares, mas não a de abrir cadastro na corretora brasileira para, por meio dela, ter acesso à B3. Para complicar um pouco mais, pense que essa empresa na qual você quer investir é uma empresa australiana, japonesa ou chinesa. Dificilmente haverá opção, a não ser a de fechar câmbio e encontrar uma corretora daquela localidade para executar sua ordem na bolsa local.

Bem, caso essa empresa na qual você quer investir, não importa de que local, tivesse um token registrado na rede do Ethereum, você poderia comprá-lo com muito mais facilidade por um dos seguintes canais:

1. Comprar uma criptomoeda e depois liquidar a compra do token dessa ação com essa criptomoeda;
2. Existir uma exchange (CEX) negociando esse token específico e, portanto, você se cadastraria nela e teria acesso a ele;
3. Ter um amigo que possuísse esse token e que pudesse lhe vender, mediante simples transferência de reais para ele.

Olhando pelo lado do regulador, de alguma forma o regulador do país de origem desse token precisa saber quem é o investidor atual para prevenir atividades ilícitas e lavagem de dinheiro, mas isso poderia ser facilmente feito pela exchange local que estivesse de acordo com as regras desse regulador, e lhe informasse a identidade do novo detentor do token. No caso da compra “do seu amigo”, isso seria mais complicado, mas algum sinal poderia ser dado na transferência entre vocês dois, de tal forma que o regulador de lá bloqueasse temporariamente o token, até que o novo detentor se pronunciasse e fosse aprovado.

Um dos grandes desafios na “tokenização” dos valores mobiliários está na transição entre o mundo regulamentado das moedas “fiat” (ou seja, moedas fiduciárias emitidas pelos países) e o das moedas ou tokens em blockchains públicas, não permissionárias. No momento em que o investidor já estiver nesse mundo, ou que os países comecem a usar a tecnologia para emitirem suas próprias moedas utilizando essa plataforma, toda a liquidação e transferência ficarão muito mais fáceis.

Outro ponto se refere à custódia desses ativos e à garantia de que cada token realmente equivale ao que lhe é atribuído, mas isso se resolve da mesma forma que quando compramos o CDB do banco e ele nos assegura que temos aquele ativo, ou que, quando compramos o título do Tesouro Direto, podemos confirmar em seu site que o título está em nosso nome, ou seja, resolve-se via regras já combinadas entre instituições e clientes.

O texto que você acabou de ler é um fragmento do meu livro recém-lançado “A tokenização do dinheiro: como Blockchain, Stablecoins, CBDC e o DREX mudaram o futuro”. Se deseja continuar nessa jornada de descoberta e aprofundar-se no tema, convido-o a acessar este link.

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7up7down - Gustavo Cunha - Coluna - 7up7downhttps://www.saeidesign.com/colunistas/blog-do-cunha/os-nfts-morreram-longa-vida-aos-nfts/Tue, 03 Oct 2023 17:00:54 +0000https://www.saeidesign.com/?post_type=colunistas&p=2258926bored ape nftO preço dos NFTs e a minha confiança de que isso só crescerá

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Os tokens não fungíveis (NFTs), conhecidos em inglês como Non-Fungible Tokens, ganharam fama mundial graças a duas coleções e suas respectivas comunidades de arte digital: Bored Apes e CryptoPunks. Alguns desses NFTs chegaram a atingir valores superiores a US$ 3 milhões, atraindo imediatamente a atenção da mídia, investidores e entusiastas.

Nos últimos trimestres, observamos uma significativa queda nos valores desses NFTs. Para dar uma ideia, o Bored Ape Yacht Club, que é a coleção principal entre os Bored Apes, atualmente tem seu “floor price” (preço mínimo entre todos os NFTs da coleção) em US$ 45 mil, após ter alcançado um mínimo de US$ 345 mil no segundo trimestre de 2022.

Alguns podem argumentar, especialmente aqueles mais familiarizados com o mundo das criptomoedas, que o preço dessas coleções não é dado em dólares e que essa queda reflete mais a desvalorização do ether, a moeda da rede Ethereum usada como base para esses NFTs, do que a queda de preço dos Bored Apes em ether.

Infelizmente, isso não é o caso. Mesmo em ether, o preço caiu de cerca de 120 ethers para 26 ethers. Embora a queda do ether em relação ao dólar justifique parte da queda de preços, a maior parte da queda foi em ethers mesmo.

Essa enorme queda foi discutida em um relatório da dappGambi, que teve grande repercussão na comunidade cripto. O relatório constatou que mais de 95% dos NFTs não têm valor algum.

Não vou entrar aqui na explicação das razões por trás dessa queda e da falta de uso/utilidade que leva a maioria dos NFTs a não valer nada. Em vez disso, vou olhar para o presente e o futuro para avaliar as perspectivas.

Primeiramente, é importante distinguir os tipos de NFTs. Os NFTs são representações digitais de direitos e/ou utilidades em redes blockchain. Eles são uma forma de representar algo único e não fungível nessas redes, permitindo transferências diretas entre usuários, sem intermediários. Portanto, eles são uma maneira de manter ativos digitais exclusivos de forma descentralizada.

Isso abrange uma ampla gama de casos de uso.

O mais conhecido é o que mencionei no início deste texto: NFTs de arte, que geralmente estão associados a uma narrativa e uma comunidade. A narrativa por trás do Bored Apes é bastante forte. Para quem não a conhece, vale a pena ler o relatório da Paradigma Educação sobre o assunto.

No entanto, os NFTs não se limitam à arte e à comunidade cripto. Eles têm uma variedade de outros casos de uso, incluindo a gestão de programas de fidelidade, tokens de ativos reais, como imóveis, grãos ou carros, e muito mais. Até mesmo nossa identidade digital pode ser representada por meio de um token.

É aqui que se abre uma porta para uma infinidade de casos de uso e soluções, graças aos NFTs de arte. A inovação geralmente encontra menos barreiras regulatórias e governamentais em seus estágios iniciais. Tudo é testado e, quando bem-sucedido, abre caminho para a adoção dessas soluções em ambientes mais tradicionais. E o mesmo acontece aqui.

Testar NFTs nos mercados financeiro e imobiliário, por exemplo, é muito mais desafiador e arriscado do que no mercado de arte e colecionáveis. Portanto, vejo esse setor como pioneiro, realizando os primeiros testes. Alguns casos de grande sucesso, como o Bored Apes, abrem caminho para a incorporação dessa tecnologia e dessas soluções nos mercados mais convencionais.

O que observo é que estamos agora nesse estágio. Estamos no ponto em que o mercado tradicional está testando, explorando e, em alguns casos, acelerando nessa direção. Questões de usabilidade da Web3 versus Web2 ainda precisam ser resolvidas, mas exemplos como o Gotas.social, que permite o acesso a NFTs por meio de uma conta no Gmail, começam a abordar esses aspectos.

Se os NFTs de arte e as comunidades, como os Bored Apes, vão desaparecer, eu não sei e até ousaria dizer que não. No entanto, afirmo que a grande transformação que os NFTs trarão para nossas vidas não será diretamente por meio deles. É importante ressaltar o “diretamente”, pois, como mencionei anteriormente, muitos dos usos dos NFTs terão suas raízes nesses experimentos.

Outro ponto interessante é a maneira como o sucesso é medido pelo valor alcançado por esses NFTs e o insucesso é medido pela queda de preço. Seria esse o melhor indicador para avaliar a situação? Certamente, é um dos fatores, mas, em outras palavras, seria o único fator?

Fazendo um paralelo, quando me mudei de São Paulo, precisei avaliar os bens que a transportadora estava levando. Como quase não havia móveis, a maioria dos bens consistia em cadernos dos filhos, álbuns de fotografias e outras coisas com grande valor sentimental. No entanto, esses itens eram impossíveis de serem reproduzidos ou comprados, então, como avaliá-los? Essa questão se relaciona em parte com os NFTs de arte e as comunidades. O desejo de possuir algo ou fazer parte de algo é difícil de quantificar em termos monetários, mas, ao mesmo tempo, o dinheiro muitas vezes se torna o fator de referência.

Em relação ao título deste artigo, o que parece cada vez mais distante é que os NFTs não farão parte de nossas vidas em breve. Muito provavelmente, eles farão parte de nossa vida de alguma forma, mesmo que não estejamos conscientes disso.

Portanto, se os NFTs morreram, vida longa aos NFTs! 😉

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7up7down - Gustavo Cunha - Coluna - 7up7downhttps://www.saeidesign.com/colunistas/blog-do-cunha/corrida-pela-tokenizacao-da-moeda-esta-em-pleno-curso/Tue, 19 Sep 2023 17:00:24 +0000https://www.saeidesign.com/?post_type=colunistas&p=2244797Sendo tokenização o futuro do mercado financeiro, a moeda será o seu principal token

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Desde que, em 2019, o Facebook, hoje Meta, anunciou uma iniciativa para desenvolver sua stablecoin, a Libra, todos os olhos do mundo do mercado financeiro tradicional se voltaram para o tema da “tokenização” da moeda.

Inicialmente, esse nem foi o nome que usaram. Ainda há muita confusão quando vamos para taxonomia e para algumas siglas e definições. Não é preciso ir longe para notar isso, quem acompanhou as declarações de envolvidos na iniciativa do DREX no Blockchain Rio da semana passada conseguiu perceber isso claramente.

Mas aqui quero ir mais para o nível da floresta do que da árvore. Alguns ganhos da “tokenização” da moeda e, posso dizer, de ativos de modo geral, estão praticamente consolidados no mercado. Entre eles, destacaria a facilidade para automatizar processos, divisibilidade, disponibilidade 24 horas por dia, sete dias por semana, transparência e auditoria das transações.

Todos esses ganhos ainda podem ser maximizados pela criação de um ambiente propenso a inovação que essa “tokenização” traz.

Muitos desses ganhos são inspirados em casos de usos que já são amplamente utilizados e testados no ambiente de DEFI. DEFI, por ser um ambiente não permissionário e fora do controle dos governos, ajuda muito que inovações sejam feitas e, no meu ver, mostram o caminho.

À medida que seus testes vão se consolidando, eles demonstram que podemos ter os mesmos casos de uso que temos hoje no mercado financeiro tradicional (tradfi), mas endereçados de maneira muito mais eficiente e trazendo os ganhos colocados acima. Aqui nem estou falando de inovações em DEFI que tragam soluções muito melhores do que tradfi e que só podem ser implementadas em blockchains ou DLTs.

Parece ser questão de tempo para que o mercado financeiro tradicional incorpore muitas dessas inovações que DEFI trouxe. E isso já me parece ser um ponto comum em grande parte das discussões.

Não há ente do mercado financeiro tradicional com quem eu tenha falado nos últimos seis meses que não entre no tema da “tokenização”. De iniciativas de stablecoins, a Bancos Centrais e suas CBDCs, passando por iniciativas focadas em auxiliar casos de uso como remessas internacionais, tudo e todos só falam sobre a “tokenização” e seus efeitos.

E, no centro dessa discussão, está o principal token desse novo ecossistema, aquele que representa a moeda que usamos.

Por moeda que usamos, entendam aqui as moedas fiduciárias: Real, Dólar, Euro, Rembini e por aí vai. São moedas emitidas por Bancos Centrais e que, tirando um ou outro ermitão que viva isolado, todos tem que conviver e utilizá-las recorrentemente em todas as interações que faça. Presenciais ou digitais. Aqui vale a constatação, e a palavra é essa mesma, de que a moeda que utilizamos hoje já está devidamente digitalizada em vários formatos, e próximo passo agora é sua “tokenização”.

Entendo “tokenização” como um token que trafegue em uma rede de Blockchain ou DLT. Isso é importante definir pois o termo “token” vem de bem antes dessas tecnologias e muitos o utilizam simplesmente como sendo a representação digital de alguma coisa. Não é disso que estou falando. “Token”, no conceito que uso aqui, é uma representação desse ativo em uma rede de Blockchain ou DLT.

Essa “tokenização” da moeda responde, em geral, por dois nomes: stablecoins ou CBDCs. Do ponto de vista da tecnologia, a diferença entre ambas é pequena. Mas, do ponto de vista do seu emissor, ela é enorme.

Stablecoins são tokens representativos de moedas fiduciárias em uma Blockchain ou DLT. Há várias formas e modelos para se garantir que essas stablecoins tenham, ou busquem, paridade com o ativo que elas representam, sendo o mais comum o de terem 100% em colateral esse ativo. USDT, USDC e várias outras seguem esse caminho. A operacionalização desse mecanismo de ter 100% de lastro para cada token emitido é feita por uma empresa privada.

No caso de uma CBDC, essa emissão do token representativo da moeda é feita pelo próprio BC.

Como os BCs tem a autonomia de emitir a própria moeda, isso já torna a CBDC melhor do que qualquer stablecoin lastreada que, para além do risco de operacionalização do colateral, tem o risco de crédito do operador, ou emissor da stablecoin.

CBDC tem lastro na confiança do Banco Central. Tal qual a moeda em si. Ao passo que as stablecoins lastreadas têm lastro na moeda emitida pelo BC. Mas, em última instancia, a confiança tem que ser depositada na entidade privada que gerencia esse lastro.

Nos últimos anos, essa disputa para ver quem tem o token de moeda instaurado tem sido enorme. Algumas soluções surgiram do lado das stablecoins, outras morreram e, hoje, temos esse modelo de 100% de colateralização presente nas duas maiores, USDT e USDC, que respondem pela parte majoritária da utilização de tokens representativos da moeda no campo de DEFI.

A USDC, especificamente por ter envolvida a Coinbase, principal exchange americana e uma das maiores do mundo, ganhou uma boa tração em 2022, mas vem perdendo volume e significância após o evento do Silicon Valley Bank (SVB). Em trajetória oposta, vem a USDT.

Muito já se especulou sobre ela ter ou não o colateral que diz ter e, nos últimos anos, a governança e transparência sobre isso vem aumentando muito.

Do ponto de vista das CBDCs, temos notícia nova toda semana e, muitas vezes, mais do que uma por semana.

Praticamente todos os BCs do mundo estão envolvidos em algum tipo de teste, piloto e/ou grupo de estudos em relação a isso. A China já tem testes sendo feitos. O Banco Central do Brasil já tem piloto do DREX andando. Austrália e Hong Kong acabaram de soltar relatórios sobre pilotos realizados. E por aí vai.

Além disso, plataformas como a SWIFT tem operado, em ambiente restrito, alguns testes com operações reais bem interessantes. Vale lembrar também do BIS, que por meio de seu Innovation Hub, tem coordenado muitos projetos que envolvem vários BCs sobre o tema da interoperabilidade e das transações transfronteiriças.

Como alguém que está acompanhando isso de perto há pelo menos cinco anos, vejo que o momento de estudos e testes em tradfin está se consolidando. Muito em breve isso tudo estará à disposição de todos. Do ponto de vista de DEFI, também há hoje uma maturidade muito maior nos protocolos e diversos casos de uso devidamente consolidados.

Estamos nos aproximando a passos largos do momento em que utilizaremos a moeda “tokenizada” de forma fácil, ágil e transparente, viabilizando a eficiência e casos de uso somente possíveis devido a isso. E o melhor: a maioria de nós talvez nem perceba isso acontecendo.

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7up7down - Gustavo Cunha - Coluna - 7up7downhttps://www.saeidesign.com/colunistas/blog-do-cunha/estamos-caminhando-para-a-fusao-entre-moeda-e-juros/Tue, 05 Sep 2023 17:00:17 +0000https://www.saeidesign.com/?post_type=colunistas&p=2233978Com a tokenização da moeda, isso pode acontecer mais cedo do que esperamos. Mas como será? Quem ganhará e/ou perderá? O que mudará?

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A tecnologia atual permite que funções da moeda, como as conhecemos hoje – meio de troca, reserva de valor e unidade de conta – não precisem mais ser totalmente segregadas para que elas sejam cumpridas. Isso pode trazer uma enorme transformação em todo o sistema financeiro mundial. Explico.

À medida que as moedas são representadas em blockchains (ou, usando um termo que está mais na moda, “tokenizadas”), o uso de um determinado token representativo dessa moeda que incorra em juros para o dia a dia é uma alternativa que aparece e muda muito a estrutura e alocação de recursos.

Para exemplificar, nada melhor do que um exemplo inovador e já consolidado no mundo das criptomoedas. A LIDO Finance, que hoje é a maior plataforma de staking de Ethereum, emite para cada depositante que coloque ETH em staking por meio de sua plataforma, outro token chamado stETH, que pode ser usado livremente na plataforma Ethereum.

Fazendo um paralelo simples com o mercado financeiro tradicional, é mais ou menos como se investíssemos em um fundo em reais (BRL) e esse fundo emitisse cotas (chamarei de cotaBRL) que poderiam ser negociadas livremente no mercado, servindo inclusive para pagar a conta no supermercado ou comprar um carro, por exemplo.

Esse novo token (cotaBRL) seria uma nova moeda? Qual o risco sistêmico e de crédito que ele carregaria?

Continuando com o stETH, ele é um token que é aceito em praticamente todas as plataformas de DEFI, assim como o ETH. A diferença é que, pelo mecanismo da LIDO, esse token stETH tem uma rentabilidade atrelada a ele que vem da função que o staking de ETH provê, ou seja, garantir a rede. Aqui, o risco do staking pode ser entendido como o próprio risco da rede, já que se tivermos problemas com a blockchain da Ethereum, os ETH em staking estarão no topo da fila para responder por eles.

Uma coisa que o stETH ainda não consegue cumprir (destaque para o “ainda”) é a função de pagamento das taxas de utilização da blockchain da Ethereum, mas com a abstração de contas, é uma questão de tempo até termos tal funcionalidade. Nesse sentido, em um futuro muito próximo, é possível que a imensa maioria dos ETH esteja depositada em staking em plataformas como a LIDO, e que a “moeda” de transação na rede Ethereum, possivelmente, passe a ser tokens similares ao stETH e não mais o ETH em si.

Voltando ao mercado financeiro tradicional, imagine agora um fundo administrado pelo Tesouro Nacional do Brasil, composto única e exclusivamente por seus títulos, no qual você consegue depositar Reais (BRL) e, em troca, recebe um token representativo da cota (TesBRL) que pode interagir livremente em uma rede de blockchain disponibilizada e regulada pelo Banco Central do Brasil (já ouviu falar do DREX? 🤔).

Com o TesBRL, você poderia pagar um café, fazer compras no supermercado, comprar um imóvel, visto que ele seria amplamente aceito. Conseguiu visualizar?

Nesse cenário, tudo seria trocado por TesBRL e não mais BRL, a nossa moeda. Em termos econômicos, a TesBRL seria um passivo do Tesouro Nacional e não do BCB. E é a partir daqui que as dúvidas e perguntas se acumulam.

O Tesouro Nacional estaria emitindo diretamente moeda? Mas essa não é a função do BCB? Como separar essas duas entidades? Seria isso ainda necessário ou a tecnologia tornou essa divisão obsoleta? Como ficam as políticas monetária e fiscal? Tudo junto e misturado?

Outro aspecto dessa discussão diz respeito à enorme receita que todos os BCs incorrem por conta do monopólio da emissão de moeda, conhecido como senhoriagem no mundo econômico. Em termos simples, é a diferença entre o custo de emitir R$ 50,00 (irrisório) e o valor de face do que foi emitido. O Tesouro, em algum momento, seria capaz de emitir TesBRL sem juros e se apropriar de toda a senhoriagem referente a isso, assim como o BCB faz com o BRL?

São perguntas para os economistas responderem do ponto de vista teórico atualmente e muito provavelmente na prática nos próximos anos.

Já li alguns artigos sobre a possibilidade de termos uma CBDC de varejo que incorra em juros, e até onde conheço, esse não é o caminho de nenhum dos projetos dos BCs atualmente, principalmente pela possibilidade de disrupção do sistema financeiro atual, que é baseado em moeda fracionária e nas funções dos agentes bancários.

Um acesso digital direto da população ao Banco Central já é um tema muito discutido, mas se o BC ainda pagar juros sobre ele, isso levanta a questão de por que precisaríamos de bancos? O problema é que as funções que os bancos desempenham hoje (gestão de contas, empréstimos etc.) teriam que passar para os BCs, o que ninguém acredita que seja o caminho atualmente.

Mas o ponto que levanto aqui é outro. Não se trata de uma CBDC de varejo que pague juros. É a tokenização de um título do Tesouro que servirá como meio de pagamento, unidade de conta e reserva de valor, ou seja, moeda. Será o Tesouro o principal concorrente dos Bancos Centrais na questão da emissão de moedas? Muito mais do que os atuais projetos que tokenizam a moeda via stablecoins ou via a tokenização privada de títulos públicos? Estariam os BCs dormindo com o inimigo?

Pois é. Um texto com mais dúvidas do que respostas! Do tipo que adoro! 😉 E para continuar, nada melhor do que juntar uma turma de especialistas nesse assunto. Venha conosco continuar essa discussão na 11ª edição do Money Innovation da FinTrender na próxima segunda-feira (11).

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7up7down - Gustavo Cunha - Coluna - 7up7downhttps://www.saeidesign.com/colunistas/blog-do-cunha/drex-quando-um-nome-mais-confunde-do-que-ajuda/Tue, 22 Aug 2023 14:00:49 +0000https://www.saeidesign.com/?post_type=colunistas&p=2221611Será o Drex uma nova moeda digital para o Brasil? Ou é apenas o nome da plataforma? A população terá acesso ao Drex da mesma forma que tem acesso ao Pix?

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Após duas semanas desde o anúncio do novo nome da plataforma de Real Digital, o DREX, todos ainda estão tentando entender o significado deste nome.

Ao contrário do impactante nome Pix, as incertezas geradas por esse novo termo vão além da escolha do nome em si. Será o Drex uma nova moeda digital para o Brasil? Ou é apenas o nome da plataforma? A população terá acesso ao Drex da mesma forma que tem acesso ao Pix? São essas e outras dúvidas que vou tentar esclarecer abaixo.

Antes de responder a essas perguntas, é importante ressaltar que não estou diretamente envolvido no projeto. As opiniões apresentadas aqui são baseadas em conversas, contatos e estudos que tenho realizado sobre o assunto. Agora, vamos às respostas:

O Drex será a plataforma, ou seja, é o novo nome da REDE para o Real Digital. Não se trata de uma nova moeda. Não é uma alternativa ao Pix. Não é algo completamente novo que não tenha sido previamente anunciado. É, simplesmente, uma nova plataforma.

A forma mais simples de entender isso é comparar com as diferentes maneiras de negociar a moeda que temos atualmente. Independentemente de estarmos utilizando dinheiro em espécie, depósitos bancários ou cheques, a moeda é a mesma: o Real. O que muda é o formato ou, mais precisamente, o ambiente em que essa moeda está sendo transacionada. Com o Drex, será a mesma lógica. A moeda continua sendo o Real, mas agora terá uma nova plataforma pela qual poderá circular.

Outra maneira de entender isso é usando um exemplo que envolve o Pix, que todos nós já conhecemos bem. Em uma das lives que realizo quinzenalmente no Fintrender sobre moedas, surgiu um exemplo, envolvendo a negociação de um carro, que ilustra a utilização das duas plataformas em conjunto. Vou explicar.

Imagine que a plataforma Drex já esteja funcionando e que nela haja uma representação tanto de um depósito bancário quanto do carro que estamos negociando. Através da automatização possibilitada pelos contratos inteligentes, será viável realizar uma transação trocando esses dois tokens (carro e tokenizado de Real), em que a liquidação do token do carro ocorra via Drex e a liquidação dos depósitos bancários seja feita pelo Pix.

Será esse o método mais simples e sugerido nos testes do piloto? Provavelmente não. Nos diagramas de fluxo que o piloto está planejando testar, a liquidação dos reais acontecerá por meio da queima do tokenizado de Real em uma instituição bancária ou de pagamento (usarei “IP” para simplificar), a transferência do Real Digital (CBDC de atacado) entre as IPs e a criação de um tokenizado de Real na instituição receptora dos valores. Tudo isso via Drex. Embora esse seja um caminho e, muito provavelmente, seja utilizado em todas as transações que envolvam liquidação atomizada (DVP na sigla em inglês), está longe de ser o único caminho. O exemplo acima é completamente viável.

Quanto ao acesso direto da população às funcionalidades do Drex, parece improvável no início. Ao contrário do Pix, que é uma plataforma de pagamentos instantâneos, na qual a ideia era que todos tivessem acesso e pudessem utilizá-la, no caso do Drex, será uma plataforma para a tokenização de tudo.

O Drex se tornará a infraestrutura financeira do Brasil no futuro. Assim como o STR desempenhou um papel crucial no desenvolvimento do sistema financeiro nacional, o Drex seguirá o mesmo caminho.

Como meu amigo Marcelo Deschamps disse em uma de nossas conversas, “o Drex é como um STR 2.0 usando DLT”. Embora seja uma simplificação, essa comparação é excelente porque, assim como tivemos Ted, Doc, etc., usando o STR para transações, teremos o Real Digital, Real Tokenizado, títulos públicos tokenizados, etc., no Drex. E assim como no caso do STR, apenas alguns participantes altamente especializados usarão o nome Drex.

Muito poucos de vocês que estão lendo este texto devem se lembrar ou saber sobre a implementação do STR. São outros tempos, com certeza, mas talvez toda essa divulgação e esforço em explicar um novo nome possam estar sendo mais úteis para explicar a plataforma em si, ao invés do nome.

O modelo de moeda digital que o Banco Central do Brasil está testando neste primeiro piloto, envolvendo sua moeda digital em uma plataforma DLT, é a CBDC (Moeda Digital de Banco Central) de atacado, aliada a uma stablecoin de varejo. Em termos do projeto, na plataforma Drex teremos o Real Digital, que é a CBDC de atacado, negociada exclusivamente entre o Banco Central e os bancos e agentes autorizados (IPs, por exemplo), e o Real Tokenizado, que será a tokenização dos depósitos bancários. Além disso, também circularão títulos públicos tokenizados. O DREX não muda os conceitos e nomes do Real Digital, do Real Tokenizado ou de títulos públicos tokenizados para mim; ele se limita a ser o nome da plataforma, que apenas um pequeno grupo terá acesso.

Finalmente, fazia um tempo que não via a simples mudança de nome ou criação de um nome causar tanta confusão. Isso nos leva a refletir: por quê? Talvez tivesse sido melhor manter o nome “Rede do Real Digital” ou “RD”, como muitos já estavam chamando?

Talvez, mas a essa altura Inês já é morta, como afirma o dito popular! Agora, o melhor é simplesmente repetir para todos: Drex é a plataforma (ponto!). Vamos seguir em frente e voltar a discutir os benefícios, dúvidas e preocupações que a digitalização da nossa moeda, associada à tokenização, pode trazer para todos.

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7up7down - Gustavo Cunha - Coluna - 7up7downhttps://www.saeidesign.com/colunistas/blog-do-cunha/worldcoin-cripto-identidade-e-renda-basica-universal/Tue, 08 Aug 2023 14:00:25 +0000https://www.saeidesign.com/?post_type=colunistas&p=2207467Essa iniciativa pode criar um padrão mundial de identidade digital e distribuição de renda?

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Recentemente, uma iniciativa que estava relativamente inativa no mundo das criptomoedas lançou seu próprio token e imediatamente ganhou destaque, gerando diversas discussões. Estou me referindo à Worldcoin e ao seu token (WLD). Essa iniciativa une uma abordagem única de identificação pessoal no ambiente digital ao conceito de renda básica universal, ou UBI, sigla em inglês.

A Worldcoin desenvolveu um dispositivo chamado ORB que é capaz de mapear a íris dos usuários. Com isso, é criada uma identidade única (World ID) associada a uma layer 2 da rede Ethereum chamada Optimism. O processo envolve baixar o aplicativo da Worldcoin no celular, visitar um local com o ORB, escanear o olho e um QR code gerado pelo aplicativo, permitindo assim a validação da identidade no aplicativo, o que eles chamam de criação do WorldID.

Em termos de identificação pessoal, a leitura da íris é considerada uma das formas mais seguras de comprovar a identidade de alguém, muito mais confiável do que a impressão digital, que pode se deteriorar ao longo do tempo, ou o reconhecimento facial. O ORB verifica se a pessoa está viva e se não há uma íris já cadastrada. Com base nesses resultados, é possível criar o WorldID da pessoa.

Após a criação do WorldID, os usuários se tornam elegíveis para receber WLD, o token da Worldcoin. Ao se cadastrar, você recebe 25 WLD imediatamente e pode solicitar cerca de 10 WLD por semana. O limite máximo de emissão de WLD é de 10 bilhões. A distribuição inicial será por um período determinado, com a distribuição semanal diminuindo à medida que mais pessoas se cadastram, já que a quantidade de tokens é finita.

Com base no valor atual do token (US$ 2,03), o incentivo inicial para se cadastrar e validar a íris seria de cerca de US$ 51,00, o que é significativo ao compararmos com a renda de muitas pessoas ao redor do mundo. Isso sem mencionar os ganhos futuros de cerca de US$ 20,00 por semana.

É evidente que o token, inicialmente sem valor real e considerado apenas um IOU (“I owe you”, em inglês, algo como “eu devo a você”), ganha valor à medida que milhões de pessoas se cadastram e utilizam suas identidades digitais únicas para diferentes finalidades.

Contudo, em termos de preço, é provável que haja uma pressão de venda a curto prazo, já que a maioria das pessoas estará interessada em ganhos imediatos em vez de investir no futuro da iniciativa. Isso levanta a discussão clássica entre objetivos de curto e longo prazo.

Voltando ao modelo da Worldcoin, uma vez que você tenha sido identificado e validado na plataforma, você tem o direito de receber tokens de forma recorrente, algo que se assemelha muito ao conceito de renda básica universal (UBI). Esse é o cerne da Worldcoin.

Muito se fala sobre a mudança no mercado de trabalho devido à inteligência artificial, o que pode deixar muitas pessoas desempregadas. É interessante notar que o fundador da Worldcoin é Sam Altman, conhecido por estar à frente da OpenAI e criador do ChatGPT. Isso levanta a questão de se ele está desenvolvendo essa iniciativa para lidar com os desafios que a IA pode criar, como abordado no artigo de Molly White (link no final do texto).

A discussão sobre renda básica universal é ampla e parece haver consenso tanto no âmbito político quanto acadêmico de que é uma discussão importante em algum nível. O programa “Bolsa Família” é considerado uma forma de renda básica universal.

Outro aspecto da Worldcoin é a criação de uma identificação digital global única, independente de governos ou grandes empresas. Embora haja alguns casos de uso interessantes, como a capacidade de provar sua identidade digitalmente sem a necessidade de intermediários, a real necessidade disso ainda gera dúvidas. Será que apenas com a adesão de empresas e governos a Worldcoin poderá ser validada? Será que ela encontrará apoio nas comunidades mais voltadas para a liberdade individual?

Vale mencionar que a necessidade de identificação digital está cada vez mais sendo abordada por plataformas e estruturas que utilizam Zero Knowledge (ZK), requerendo interações constantes para identificar casos de venda ou roubo de identidades digitais.

Outra consideração diz respeito à coleta de dados pela Worldcoin. Embora poucos processos de validação de usuários atualmente usem a leitura da íris, não se sabe se isso poderá se tornar um padrão nos próximos anos, o que pode representar riscos caso os dados sejam vazados de startups que já possuam os dados da íris dos usuários.

A Worldcoin alega que armazena apenas o hash da íris, não a íris em si, permitindo verificar se uma íris já está cadastrada, mas não é possível recriar a íris a partir dos dados cadastrados, devido à criptografia assimétrica.

Por fim, a Worldcoin levanta pelo menos duas discussões cruciais para o cenário atual: identidade digital global e renda básica universal (UBI). Ela tem o potencial de abordar esses dois pontos? São funções mais adequadas para iniciativas privadas ou governamentais? As grandes empresas de tecnologia seguirão essa direção?

No âmbito individual, a pergunta é: você se cadastrará? Enxerga vantagens nisso? Os cerca de US$ 51,00 iniciais são suficientes para motivá-lo a experimentar? Identificou algum outro risco que não tenha sido abordado?

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Bases para a execução desse texto:

What do I think about biometric proof of personhood?
Worldcoin: a solution in search of its problem
Worldcoin says will allow companies, governments to use its ID system
Worldcoin price today, WLD to USD live price, marketcap and chart
Tokenomics
Worldcoin’s Tokenomics Shrouded in Mystery as Website is Reportedly Geo-Blocked Worldwide
Worldcoin Can Be More ‘Widely Distributed’ Than Bitcoin, CoinFund Executives Say
Worldcoin, From ChatGPT Creator, to Unveil WLD — What You Need to Know, And How to Get it
WorldCoin Attracts 2 Million Users, Hundreds Line-up To Stare at the Orb
Kenya suspends Worldcoin project over data safety concerns

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